O plano

Ir a pé até Fátima estava na agenda há algum tempo, e o ano passado tive a sensação que deixei passar a melhor oportunidade para viver esta experiência (e aventura!), e até fui mais longe, senti que poderia ser a única. ‘Que pena, este ano, não ter ido a pé até Fátima!’ Mas estava enganada (uma vez mais, risos), felizmente! O time off tem-se prolongado, e tem-me permitido concretizar, e talvez no momento certo, o que tem vindo a ser adiado. E o momento de ir a pé até Fátima, chegou. Espero que seja o certo…

A caminhada foi preparada com dois meses de antecedência, de forma individual, e nada profissional, em caminhadas mais ou menos regulares de 10 a 14 km. ‘Vou preparar-me, e depois logo vejo como me sinto.’ Não tinha preparação física nenhuma, mas fui caminhando e fui ganhando confiança e mesmo com várias versões de desmotivação (mas também realistas), ‘é muito duro, tanto física, como psicologicamente’, ‘não sei se estás preparada’, ‘é uma caminhada muito exigente, são mais de 40 km por dia’, ‘tens que saber gerir o tema da desistência’, resolvi arriscar!

Juntei-me a um grupo bem conhecedor do desafio, e bem motivador. Já vivem a peregrinação até Fátima há muitos anos, ‘ vais conseguir’, ‘não vamos com pressa, temos tempo’, ‘tu consegues, a cabeça comanda tudo’, ‘vais-te surpreender contigo mesma’, …  Mas o critério de escolha não foi só esse, a motivação, foi mesmo o grau familiar com alguns elementos. Porque os outros, esses não os conhecia.

O início

Comecei a caminhada, a primeira etapa, de minha CASA, e foi lá que me juntei a eles, que iniciavam a segunda etapa. Saímos ainda noite escura, madrugada e muito frio, mas passados poucos quilómetros, o dia começou a amanhecer e eu parecia que já os conhecia a todos. O sentimento de união e confiança estava estabelecido, e a família era o grupo todo. Em estrada nacional, em terra batida, em calceta, um elemento mais à frente, um elemento mais atrás, os vários elementos em fila indiana muito bem alinhada, outras vezes a caminharmos aos pares, em conversas animadas, em conversas mais sérias, em momentos de reza, e em minutos de silêncio, muitos, seguimos em frente. SEMPRE a olhar em frente!

O grupo foi, é, quem caminha a pé e quem faz o apoio. Sim, os elementos e as carrinhas de apoio que acompanham os peregrinos durante a peregrinação são energéticos que não se vendem em lado nenhum. Aparecem em todo o lado, e aparecem-nos com tudo, quase tudo. O meu apoio. Mas há também frases de apoio que se vão ouvindo pelas várias localidades onde se vai passando, ‘ide com Deus’, ‘que Nossa Senhora Vos ajude’, ‘boa viagem, força’, ‘Deus Vos guarde’. Apoio anónimo, mas cheio de significado e proximidade. E tantas vezes emocionante. Ainda não cheguei a Fátima. Só estão feitas duas etapas, mas celebrei-as como se fossem as últimas. Mas numa caminhada longa e ‘dura’, o percurso faz-se assim, etapa a etapa. Eu é assim que quero chegar lá. Venham as próximas!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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